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De 3 horas por dia para 20 minutos: as vendas de uma papelaria lançadas por foto

A Papeloucos, papelaria de Bauru da qual eu faço parte, lançava cada venda à mão numa planilha. Trocamos isso por uma foto do que foi vendido, e o Claude faz o resto.

por Ivaldo Trentin
Bauru, SPFevereiro a outubro de 2026números conferidos na planilha do negócio
2 a 3 h< 20 minpor dia para lançar as vendas
à mão95%dos pedidos lançados direto da foto
239pedidos em 5 semanas, com 761 itens
57%de margem, calculada por custo médio

O negócio

A Papeloucos vende papelaria fofa (canetas, cadernos, adesivos, planners) em bancas numa escola, em feiras, por indicação e pelas redes. Quatro pessoas vendem, cada uma com o seu celular, e o pagamento quase sempre é por Pix.

Antes

De fevereiro a agosto de 2026, cada venda era digitada numa planilha, uma linha por produto. Foram 908 linhas em sete meses. No fim do dia, lançar as vendas levava de duas a três horas.

O cansaço aparecia nos números. Venda lançada sem a compra correspondente deixava produtos com estoque negativo (pelo menos 23 na planilha antiga, como uma caneta com 3 unidades compradas e 12 vendidas). O estoque ficava dividido por vendedora, a maioria dos produtos não tinha foto, e o resultado do mês (DRE) existia, mas ficava zerado porque ninguém tinha tempo de alimentar.

O que mudou

A venda vira foto. A vendedora fotografa o que vendeu num aplicativo simples, feito com o Apps Script do Google, e escolhe cliente, canal, situação do pagamento e forma de pagamento. Leva segundos, na hora da venda.

O Claude lê a foto. De hora em hora, uma tarefa agendada do Claude abre as fotos novas, reconhece cada produto pelo catálogo e pelas etiquetas e prepara o lançamento. Uma rotina da planilha importa tudo a cada 15 minutos, numera o pedido e cadastra cliente novo.

Na dúvida, ele pergunta. Quando dois produtos se parecem ou a confiança é baixa, a venda entra marcada para conferência em vez de chutar. Em cinco semanas foram 149 conferências, quase todas resolvidas. Cada correção vira uma regra numa aba de aprendizados (já são 43), que o Claude lê antes de cada rodada.

As compras entram pela foto do cupom fiscal, com o custo de cada produto, e a margem passou a ser calculada pelo custo médio ponderado. Um painel mostra faturamento, lucro, estoque e o que falta receber para todos os sócios, sem precisar abrir a planilha.

“Quem está começando a vender e não tem um sistema sabe que precisa das vendas lançadas para entender o que vende mais, o que tem mais margem e o que mais fatura. O que falta é tempo. Com o aplicativo, a skill e a planilha automatizada, lançar ficou rápido e até prazeroso.”

Ivaldo Trentin, sócio da Papeloucos

Os números (7 de setembro a 10 de outubro de 2026)

239 pedidos e 761 itens vendidos, 227 deles lançados direto da foto. 319 produtos cadastrados em 32 categorias, de 10 fornecedores. Margem de 57%.

O faturamento dessas cinco semanas ficou perto do que a planilha antiga registrou em sete meses. Isso não é mérito só do sistema: entrou mercadoria nova em agosto e outubro, e setembro é mês forte na escola. O que dá para dizer com segurança é que a operação passou a dar conta de quase o dobro de vendas sem perder o controle do estoque e com uma fração do tempo.

O que ainda não está perfeito

Produtos antigos, comprados antes da planilha nova, ainda aparecem sem cadastro e caem na conferência. Produtos muito parecidos, como cartelas de adesivo do mesmo preço, ainda confundem a leitura; a aba de aprendizados vai diminuindo isso aos poucos. E um quarto das vendas está como pendente de pagamento, o que o sistema mostra, mas não resolve.

Ferramentas

Claude (tarefas agendadas e skills), Google Sheets, Apps Script e Google Drive. Sem mensalidade de sistema: o custo é a assinatura do Claude.

Para fazer parecido

Duas partes deste sistema viraram skills gratuitas: